segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Londres e Paris - entrando na Europa

Nosso voo chegou por Lisboa. Optamos por fazer uma conexão longa, de oito horas. Já havíamos feito uma conexão rapidíssima quando fomos a Roma e foi muito tumultuada. Outra opção seria uma conexão de três horas, mas esperar no aeroporto era incômodo. Uma conexão longa nos permitia passear por Lisboa e almoçar o que quiséssemos.

No embarque no Brasil, despachamos um carinho de bebê e as malas direto para Londres. Em Lisboa pegamos apenas um carinho para facilitar o novo embarque. Nossa intenção era conhecer a Catedral de Lisboa (Sé) e passear com os meninos no Oceanario.

Demos o café da manhã no aeroporto já que chegamos cedo (6h). As estações de metrô (metro, com "e" agudo para os portugueses) são quase todas acessíveis para os carrinhos de bebê. Pegamos o metrô no aeroporto e seguimos para o centro (estação Rossio), onde nós tomamos o nosso café. Iríamos para a Catedral de bonde, mas tivemos que mudar o meio de transporte para chegar à Catedral (Sé) pois o bonde  (ou elétrico, em português lusitano) estava bem cheio para entrar com dois meninos e o carinho.

Optamos por fazer o trajeto de táxi, o que foi uma grata surpresa. O taxista nos levou à Sé, nos esperou do lado de fora e depois nos levou ao Oceanario por  € 17. De metrô e bonde teríamos pago entre € 10,60 e € 12 dependendo do tempo que levássemos para percorrer o trajeto (isso considerando que os meninos viajariam de graça no metrô.

O Oceanario é uma ótima pedida para crianças. E para os adultos também  (é minha terceira visita). Até o Henrique curtiu. E foi o tempo certo para depois almoçar e voltar ao aeroporto. Há muitos restaurantes e um Shopping Center no caminho entre o Oceanario e a estação Oriente, onde tomamos o metrô.

O voo para Londres foi bem tranquilo. O problema foi o sono. Os meninos dormiram o voo quase todo e nos fomos cochilando. Antes de pousar ficamos trinta minutos voando em círculos entre Londres e Southampton, devido ao tráfego aéreo. O desembarque e os procedimentos de imigração foram ainda mais simples que em Portugal. Feita a imigração e recolhidas as bagagens, hora de rumar ao hotel. Não sem antes cometer uma pequena mancada: na hora de entrar no carro que faria o transfer, quase sentar no banco do motorista por esquecer qie na Inglaterra o volante fica à direita.

Londres e Paris com crianças - o voo

Os meninos não costumam dar trabalho quando saímos. Mas dessa vez, eles escolheram o dia para ficarem agitados. Mesmo assim, o embarque aconteceu sem grandes atropelos, principalmente pela ajuda dos funcionários da TAP. Dentro do avião, o tumulto foi um pouco maior. Sacolas, casacos, meninos, senta, levanta, guarda mochila no maleiro, tira mochila do maleiro, tira cobertor... nada que a gente já não tivesse  (quase) acostumado.

A novidade foi o bercinho. O Gabriel já havia feito duas viagens para a Europa, mas nunca havíamos solicitado esse tipo de serviço. O berço é para ser muito bom, mas tem seis inconvenientes. Primeiro que o tamanho reduzido não ajuda os bebês maiores. O limite de 11kg não comporta qualquer bebe. O Henrique, com um ano e dois meses ficou apertado. Tanto que só conseguimos deixá-lo dormindo no assessório nas últimas duas horas de viagem,quão o sono era profundo o suficiente para não se mexer muito. Outro problema é a turbulência. Se o aviso de atar cintos estiver ligado, o bebê precisa voltar para o colo. No nosso caso, a primeira metade do voo foi assim. Mesmo com tudo isso, vale a pena solicitar, principalmente para bebês menores. Quando esteve no bercinho, o Henrique ficou muito mais confortável que o Gabriel.

No mais, o voo não foi diferente dos outros dois que fizemos só com o Gabriel. Dorme-se pouco e mal. Na hora de alimentar-se é necessário um certo malabarismo, mas vale a pena. Com o passar do tempo a gente vai ficando mais esperto: menor número de bolsas de mão, menos apetrechos eletrônicos, menor expectativa de sono. E não dá para negar, à medida que as crianças crescem, dão um pouco menos de trabalho  (ao menos no voo).

domingo, 3 de junho de 2012

Maceió (AL)

Maceió não era novidade para mim. Já havia passado por lá por duas vezes. A cidade fazia parte de um roteiro de carro que já havia feito com meus pais e com um grupo de amigos. Começava em Aracajú (SE) passava por Maceió (AL) e terminava em João Pessoa (PB). Mas, para a Mariana, quase tudo no nordeste era novidade.

Por várias vezes, conversando com ela sobre viagens, eu havia falado que iria visitar cada uma das cidades que eu já conhecia no nordeste, dessa vez, acompanhado dela. Maceió foi nossa escolha para começar o trajeto. Queria deixar as capitais que mais gosto (Aracajú e João Pessoa) para depois. Nessa viagem os pais da Mariana nos acompanharam.

O litoral do Estado de Alagoas é um dos mais espetaculares do Brasil. Até mesmo as praias urbanas são muito bonitas. Com uma a água muito verde e muito clara suas praias são sempre belas. A orla de Maceió também é muito bonita e conta com bons hotéis e restaurantes. O ponto negativo fica para a sensação de insegurança e para a enorme desigualdade se percebe em toda a cidade. A quantidade de pessoas pedindo dinheiro na rua também chamaram a atenção nas três vezes que estive por lá. Basta você parar em um quiosque para comprar uma água que apareçam crianças pedindo dinheiro ou comida. Isso quando não são adultos pedindo. Esses fatos desestimulam a permanência na capital e nos leva a conhecer praias nos extremos do Estado.

Os hoteis de Maceió concentram-se em três praias. Pajuçara, mais ao sul, é a mais badalada, mas nos pareceu um pouco bagunçada. Ponta Verde, no meio, possui mais edifícios residenciais e é mais tranquila. E Jatiúca, ao norte, parece que se voltou ao turismo mais recentemente, mas já possui excelente estrutura de restaurantes e bons hoteis. Cada uma tem seu perfil. Nós, preferimos Ponta Verde, por permitir uma boa caminhada para as outras duas praias. Nos hospedamos no Hotel Ponta Verde (Av. Álvaro Otacílio, 2933), bem localizado, à beira mar, e com um bom serviço.

Na primeira manhã, fomos conhecer a praia conhecida com Gunga. Há duas formas de chegar à praia. A mais comum é indo até a cidade de Barra de São Miguel e pagando um passeio de escuna ou lancha, que atravessará o rio e deixará os passageiros para pegá-los no fim da tarde. A outra, por terra, passa por dentro de uma fazenda, que por ser propriedade particular, tem acesso restrito. Os hoteis tem uma conversa de "alugar uma carteirinha" que dá acesso à praia por meio da fazenda. Mas é possível conversar com o porteiro para apenas conhecer o local, principalmente no fim da tarde. (nota: recentemente alguns amigos estiveram por lá e não foi cobrado nada para entrar por terra).

A vantagem de alugar um carro em uma cidade como Maceió é que você pode fazer o seu roteiro como bem entender, sem ficar preso a horários (a não ser o das marés). Por isso, antes da praia, demos uma passada em um mirante que fica pouco depois da entrada para o Gunga. A vista do local é muito bonita. É possível ver o rio São Miguel desembocando no mar e um imenso coqueiral.




De lá, voltamos um pouco e demos uma passada em Barra de São Miguel. A cidade tem uma praia protegida por uma barreira de corais que reduz a rebentação e, na maré baixa, forma uma grande piscina natural. Essas piscinas naturais existem em boa parte do Estado de Alagoas. A barreira de corais vem do norte da Bahia até o Rio Grande do Norte, hora aproximando-se da praia, hora afastando-se. Tentamos negociar uma lancha para nos levar (como estávamos fora de temporada, não havia gente suficiente para encher uma escuna), mas o preço não era convidativo. Seguimos por terra mesmo.


A praia fica na foz do rio São Miguel e conta com estrutura lazer e alimentação. É bem bonita, mas não acho o banho dos melhores. O mar é perigoso, como toda foz, e tem água escura devido aos sedimentos que o rio carrega. Já no rio, não senti muita confiança na qualidade da água. Ainda assim, valeu o passeio.




No dia seguinte descemos mais ao sul para visitar a famosa foz do rio São Francisco. É possível fazer o passeio partindo da margem alagoana ou sergipana do rio. Em Sergipe, o principal ponto de partida é uma pequena cidade chamada Brejo Grande. Em Alagoas, os principais pontos de partida são Penedo e Piassabuçu. Partimos dessa última.



Percorre-se um trecho de aproximadamente 40 minutos (depende da embarcação e do local de embarque) até chegar ao encontro do rio com o oceano. No caminho, é possível observar o assoreamento que ocorre nesse ponto do rio. Os bancos de areia que se formam no leito do rio aumentam a cada ano, prejudicando a sua vazão. Segundo pessoas que vivem na região, hoje, o rio avança cerca de 4 km dentro do mar, mas quando nasceram ele avançava mais de 10km. Há registros históricos que indicam que esse avaço já foi superior a 100 km! A consequência dessa mudança é a salinização da água do São Francisco e o avanço do mar sobre o continente.

Um farol é o que resta de uma cidade que existia ao lado da foz do São Francisco




 Chegada em Piassavuçu



No dia seguinte fomos a Porto de Galinhas, onde passamos o dia. São cerca de 200 km pelo litoral, por estradas sinuosas e estreitas, ou 250 km tomando a BR 101, uma estrada cheia subidas e decidas com muitos de treminhões (caminhões com duas ou mais carrocerias) cheios de cana. Mesmo já tendo passado algumas vezes por essas duas estradas, ainda não sei qual a melhor opção. Mas vou falar de Porto de Galinhas em um post específico, pois estamos preparando uma viagem exatamente para lá.

Um dos problemas de alugar um carro é que a gente nunca sabe que como é o cuidado com o veículo. Já peguei carros com a suspensão avariada (e um volante duríssimo), carros desregulados (que praticamente não subiam), carros sujos e sem manutenção. Mesmo quando pegamos carros de grandes locadoras corremos algum risco. E foi o que aconteceu naquela viagem. O carro que pegamos, com pouco mais de um ano de uso, nunca havia tido o ar-condicionado higienizado. E em um ligar onde a umidade é alta o ano todo, como em Maceió, isso é um convite para microorganismos de toda espécie. Resultado: infecção de garganta fortíssima no meio das férias, e um dia de viagem perdido.

No dia seguinte, quase recuperado, mas ainda à base de um antibiótico fortíssimo, consegui levantar da cama e seguimos para Maragogi, uma pequena cidade no litoral norte de Alagoas, famosa por suas praias e lugares para mergulho. A principal atração do local são as Galés, um banco de areia com corais que fica a 25 minutos de catamará mar a dentro. Lá, na maré baixa, é possível observar peixes corais e ouriços, entre outros, sem necessidade de equipamentos de mergulho.


Ainda com cara de doente aguardando o desembarque nas Galés







A praia de Maragogi é servida por barracas de praia com uma estrutura razoável, e também conta com hotéis, pousadas e resort. Também existem outras opções de lazer.

Passeio de quadriciclo


Continua...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Buenos Aires - Lagos Andinos - parte 7 e última

Dá para ver o cansaço nos olhos

Inicialmente, Buenos Aires era o local em que passaríamos a maior quantidade de horas naquela viagem. Na prática, foi o lugar em que tivemos o menos horas úteis. Deveriamos chegar às 15h do dia 15/5, dormir três noites e votar para o Brasil em um voo no quarto dia, no fim da tarde. Tempo suficiente para conhecer boa parte da capital portenha. Mas não foi isso que aconteceu.

Como comentamos no último post, funcionários da LAN Argentina entraram em greve no dia em que saímos de Bariloche. O nosso voo, que seria direto Bariloche-Buenos Aires, saindo de Bariloche no início da tarde, foi alterado para um voo da LAN Chile com uma improvável conexão em Santiago. Para completar, ao chegarmos correndo no portão de embarque da conexão, fomos informados que ele havia sido trocado e agora era do outro lado do aeroporto. Sendo que no aeroporto de Santiago isso significa uma boa caminhada de quinze minutos. O resultado de toda essa confusão foi que chegamos em Buenos Aires por volta de 1h da manhã do dia seguinte. Aquela tarde livre no primeiro dia tinha ido para o espaço.

O Aeroporto Internacional de Ezeiza fica bem distante do centro, onde ficamos hospedados. No caminho, a guia turística que nos acompanharia nos dias seguintes informou-nos que o nosso city tour estava marcado para as 9h. Indo dormir depois das 2h, com o dia cheio que tivemos na véspera, era inviável. Pedimos e ela passou para a tarde.

Ela também nos deu várias dicas de segurança para a cidade, como evitar usar notas de alto valor, pois são comuns os golpes na hora de dar o troco. Um taxista pode dizer que está sem troco e devolver o dinheiro em notas falsas, por exemplo. Outra dica foi a de evitar pegar taxi na rua que não seja rádiotaxi.

Quando chegamos no nosso quarto no Sheraton Buenos Aires (San Martin, 1225/1275), ligamos a TV e vimos um noticiário com cenas de um incêndio. Paramos para ver o que era. Naquela tarde, passageiros do metrô, revoltados com o atraso, colocaram fogo na estação Constitución. Por isso, a partir do dia seguinte, os metroviários entrariam em greve. Isso nos causaria alguns transtornos ao longo da viagem.

Saguão do Sheraton

Acordamos tarde, mas ainda havia tempo para pegar o café do hotel. O restinho de manhã que tivemos, usamos para conhecer as redondezas do hotel. Caminhamos na rua Florida e conhecemos o shopping Galerías Pacífico (esquina da Florida com a Córdoba), que vale a visita até para quem não quer comprar. O Sheraton Buenos Aires fica de frente para a praça San Martin, o limite norte do chamado Microcentro, centro comercial da cidade. É uma boa localização, mas exige uma boa caminhada para pontos turísticos mais conhecidos de Buenos Aires, como a Casa Rosada e o Café Tortoni, que ficam do lado oposto do microcentro. Apesar de que distâncias não são exatamente um problema em Buenos Aires, visto que táxi é bem barato. O metrô também é uma opção, mas as linhas não são bem distribuídas, não chegando a bairros de interesse como Boca e Recoleta. Naquela semana, porém, devido à greve, não poderíamos utilizá-lo.

Nosso primeiro almoço em Buenos Aires foi uma recomendação de amigos. Fomos almoçar no Cabaña Las Lilas (Alicia Moreau de Justo, 516, Puerto Madero). Por ficar relativamente próximo ao hotel e termos pouco tempo até a chegada da van que faria o city tour, acreditávamos que seria uma boa opção. De fato foi uma excelente indicação. O Cabaña Las Lilas é um restaurante de nível elevado (e preço também). O atendimento é de primeiríssima qualidade. Tão bom que foi o único restaurante que nos disse que um prato serviria duas pessoas se não quisessem se fartar. A carne era excepcionalmente bem feita. A única dica que eu dou a quem quiser apreciar o restaurante é que vá com tempo. Não que o serviço seja demorado, mas não se vai em um restaurante como aquele com pressa (o que infelizmente foi nosso caso). Saímos correndo, e tive a infeliz idéia de voltar a pé para o hotel, imaginando que chegaríamos mais rápido. Acontece que o hotel não era tão próximo quanto imaginávamos. Mesmo assim chegamos a tempo.


Durante o city tour, tivemos uma amostra do comportamento portenho. Antes que pudéssemos fazer a primeira parada, passamos por uns cinco protestos diferentes. Fato que, aliado ao congestionamento causado pela greve do metrô, nos fez percorrer alguns desvios.

Passamos por alguns bairros tradicionais e outros mais modernos da cidade. A primeira parada foi na Praça de Mayo, onde ficam, entre outros, a Casa Rosada (sede do Executivo Argentino) e a Catedral. Na verdade, só pudemos entrar na Catedral, pois a Praça propriamente dita estava cercada. Adivinha porque? Havia mais um protesto marcado para aquela tarde.

Mausoleu do General San Martin, no interior da Catedral

Casa Rosada vista da Catedral

Da Praça de Mayo seguimos para o famoso bairro La Boca. Famoso pelo clube de futebol Boca Juniors e pelo Caminito (rua de artistas), La Boca é um bairro de periferia que cresceu em torno do antigo porto de Buenos Aires. Como a visita era rápida, como em todo city tour,  não conhecemos a sede do Boca Juniors, clube que projetou Maradona. A Bombonera (estádio do Boca) só pudemos ver de longe.

Os fundos das arquibancadas de La Bombonera

Nossa parada em La Boca concentrou-se na região do Caminito. Cantada em tangos e famosa pelo colorido de suas casas, a rua ainda concentra artistas plásticos e dançarinos (acho que a maioria só faz a pose para ganhar dinheiro). As ruas próximas também concentram ateliês e bares (meio caros).


O colorido das casas não é apenas uma graça, tem uma razão histórica. O bairro fica na foz do Riachuelo e abrigou um porto. A região sempre foi humilde e seus moradores aproveitavam restos de madeira, zinco e tinta que sobrava dos barcos alí ancorados para construir suas moradias. Daí o aspecto dessas casas. Hoje, restaurada, a região do Caminito é um cartão postal de Buenos Aires. Apesar de movimentado e cheio de turistas, o bairro é perigoso, por isso não é recomendável caminhar fora da região das casas coloridas.



Na manhã seguinte fomos conhecer a Recoleta. É estranho, mas o principal ponto turístico da região é o seu cemitério. É alí que está sepultado o corpo de Eva Peron, a Evita, esposa do ex-presidente argentino Carlos Peron. Mas nossa impressão é a de que o túmulo dela é um dos mais simples. Alguns mausoléus são verdadeiras obras de arte. A visita é interessante, mas o bairro tem mais pontos bacanas, como centros culturais, museus e a avenida Alvear (chamada exageradamente de Champs Elysée de Buenos Aires). Infelizmente esses pontos ficaram para uma outra passagem por Buenos Aires.



Exemplo de um grande mausoléu no cemitério da Recoleta

Na saída da Recoleta um fato curioso. Queriamos almoçar novamente no Porto Madero. Então, fizemos sinal para um rádio-táxi na rua. Quando entramos e informamos que iríamos ao Porto Madero, ele nos disse: "podem descer que para lá eu não vou". Descemos sem entender o que estava acontecendo. O fato é que a greve no metrô tornara o trânsito um caos nas redondezas do centro. Resolvemos pedir um novo táxi, dessa vez por telefone. Levamos vinte minutos, sendo dez de congestionamento, para chegar a uns quinhentos metros do local que queríamos. De tão parado que o trânsito estava, o taxista nos sugeriu que seguíssemos a pé. Demos uma boa gorjeta e seguimos sua sugestão.

O Siga la Vaca (Alicia Moreau Justo, 1714, Puerto Madero) é uma parrilla (algo parecido com uma churrascaria). Haviam me dito que seria algo que mais se aproximaria de uma churrascaria brasileira em Buenos Aires. Na verdade encontrei um lugar mais parecido (mais barato) e melhor no nosso último dia. O fato é que tem cara de churrascaria, buffet de churrascaria, mas não é o espeto que vai até você. Para servir-se da carne, você pega uma fila e fala ao churrasqueiro o corte que você deseja. O problema é que não sabíamos de cor o nome dos cortes na Argentina. Como a fila estava grande, aceitei a sugestão que o churrasqueiro me deu quando percebeu que eu era brasileiro: picanha. OK, isso não é um corte que se coma na Argentina, mas estava tão perdido e havia tanta gente na fila que não quis demorar mais. Com a Mariana foi o mesmo.

Puente de la Mujer (Puerto Madero): dizem que é inspirada em um casal dançando

Saindo do Siga la Vaca, caminhamos um pouco pelo Porto Madero. Sua história é bem curiosa. Na época em que o porto ainda funcionava na região de La Boca, um comerciante chamado Eduardo Madero sugeriu que o fosse construído um novo porto em uma região próxima ao centro. O detalhe é que as terras usadas para a construção do porto eram suas, motivo pelo qual ele foi indenizado. Poucos anos mais tarde, o Porto Madero (inspirado no porto de Londres) estava ultrapassado e seria abandonado após a construção do atual porto, inaugurado em 1926. A região do Porto Madero tornou-se uma das áreas mais degradadas da cidade e assim ficou até o início de um projeto de reurbanização que iniciou-se em 1989. Hoje, é uma das áreas mais nobres de Buenos Aires. Os antigos armazéns restaurados hoje abrigam excelentes restaurantes, escolas e danceterias. Do outro lado dos diques, surgem arranha-céus que fazem o novo centro financeiro da cidade.

Tiramos a tarde para conhecer o centro a pé e comprar algumas lembrancinhas. A principal referência para quem quer fazer compras em Buenos Aires é a Florida, uma rua de pedestres que corta o microcentro da praça San Martin à praça de Mayo. Outra rua que também oferece grande variedade de opções é a Santa Fé, sendo que essa é muito extensa e vai se afastando do centro rumo oeste, também saindo da praça San Martin. Mas para quem quer economizar um pouco sem sair do centro, a dica é procurar as ruas paralelas à Florida. Como o movimento é menor, os preços são um pouco melhores. Apesar do câmbio a nosso favor (naquela época 66 centavos de Real compravam 1 Peso) não achamos vantagem no preço da maioria das mercadorias. A única coisa que era evidentemente mais barata era roupa masculina, principalmente camisas sociais e ternos.

À noite fomos a um espetáculo de Tango. Nossa guia nos perguntou se preferíamos algo mais tradicional ou algo no estilo Broadway. Ficamos com o tradicional e fomos levados ao Esquina Carlos Gardel (Carlos Gardel, 3200, Abasto). O valor é relativamente salgado, mas inclui, além do show, um bom jantar, bebidas e o transporte. Se o valor (na época, em torno de US$ 100) não for impeditivo, vale o programa.

Esquina Carlos Gardel: trecho de uma das apresentações


Nosso último dia era reservado a conhecer sozinhos mais algum lugar fora do centro. Mas fomos acordados às 8h30 pela nossa guia ao telefone. A greve da LAN Argentina continuava e ela queria que nós fóssemos ao escritório da companhia aérea para confirmar o voo. Eu sempre achei que um agente de viagens era que fizesse esse papel, como ocorreu em Bariloche, mas, como estava fora de meu País, preferi não discutir. Tivemos que ir a pé, pois o centro continuava instransitável para veículos com a greve do metrô. Para completar, a espera no escritório era interminável. Tudo para, ao fim, descobrir que nosso voo estava confirmado. Resultado: perdemos nossa manhã livre.

A única coisa possível a fazer àquela altura era sentar em uma das dezenas de lojas Havana (não precisa de endereço) e comprar um alfajor para trazer como lembrança para os amigos. Na época, só havia uma dessas lojas em São Paulo. Hoje São Paulo está repleta e filiais começam a ser abertas em outras cidades (olá! Precisamos de uma em Brasília).

Nosso almoço tinha que ser próximo ao hotel. Por isso nos deram a dica do Las Nazarenas (Reconquista, 1132). Esse, sim, lembrava a forma de fazer churrasco brasileiro, especialmente o do sul (mas com carne argentina, o que é ainda melhor). Além disso, o preço era convidativo e o atendimento excelente. De lá seguimos para o hotel para esperar nosso transporte, apesar de ser muito cedo, o congestionamento causado pela greve do metrô exigia que cortássemos mais essas horas preciosas de nosso tempo na Argentina. Fizemos bem, só chegamos a tempo porque o motorista da van faltou andar sobre o meio fio para costurar o congestionamento monstro no caminho do aeroporto.

Três anos depois, voltamos a Buenos Aires, revisitamos alguns lugares e conhecemos outros pelos quais ainda não haviamos passado. Mas isso é assunto para outro post.


Dicas para Buenos Aires (Argentina):
Hospedagem: As melhores e mais variadas opções de hospedagem estão no centro. A vantagem é poder sair a pé durante o dia. Há aqueles que gostam de ficar na Recoleta e em Palermo por ficar próximo das baladas.
Lugares que fomos e recomendamos: Um espetáculo de tango (geralmente inclui jantar), Caminito, caminhada na região da Recoleta.
Pretendemos voltar? Já voltamos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Bariloche - Lagos Andinos - parte 6

Sol nascendo no lago Nahuel Huapi visto do nosso quarto no hotel

Bariloche foi nossa primeira impressão da Argentina. Ao contrário do que ouvimos falar, todos aqueles com quem tivemos contato (guais, funcionários do hotel, vendedores) foram muitos atenciosos conosco. Logo ficamos sabendo de um apelido que os próprios cidadãos de Bariloche deram à cidade: Brasiloche. A cidade recebe tantos brasileiros na estação fria que é fácil encontrar pessoas que compreendem e falam razoavelmente bem o português. Aliás, o comércio da cidade depende muito de nós. Dizem que os turistas argentinos só frequentam Bariloche mesmo no verão.

Nossa expectativa para a chegada em Bariloche era negativa. Às vésperas de nosso casamento fomos informados pela agência de viagens que o hotel que havíamos reservado, o Hotel Panamericano (Av. San Martín, 537/70), estava em reforma. Esse hotel havia sido recomendado por amigos que já haviam passado pela cidade. Não havíamos recebido nenhuma outra recomendação de hotel e ainda por cima algumas pessoas nos alertaram: O padrão dos hotéis argentinos costuma ser diferente do brasileiro. Lá, hotéis três estrelas podem ser muito bons, enquanto hotéis quatro estrelas podem não ser recomendáveis para família. Por isso quando a agência nos informou que o hotel seria substituído por um quatro estrelas fiquei assustado. Mas era véspera do casamento e uma confusão agora poderia apenas aumentar nossa dor de cabeça.

Pórtico entre o Centro Cívico e a rua Mitre

Mas ao entrarmos no hotel Cacique Inacayal (Juan Manuel de Rosas, 625) percebemos que a agência fez uma boa escolha. Tanto é que hoje o hotel está classificado como cinco estrelas. Na época, recém inaugurado, o hotel já demonstrava que tinha grande qualidade. Mesmo com algumas áreas ainda em obra. A localização do Cacique Inacayal é bem próxima do Panamericano. Ambos ficam a cerca de 15 minutos de caminhada do Centro Cívico (ponto central da área turística) e da rua Mitre (rua de compras). A nosso favor estava a vista, já que o hotel fica à beira do lago. Outra vantagem era que o jantar estava incluído e a cozinha do hotel era espetacular. O maître sempre vinha conversar conosco, dava sugestões e até pegava receitas.

 Vista interna do hotel Cacique Inacayal


Mesmo não estando concluído, o hotel não deixou nada a desejar

Durante o período que ficamos em Bariloche fizemos dois passeios sugeridos pelos guias. Um foi o tradicional Circuito Chico. É uma visita a vários pontos às margens do lago Nahuel Huapi e a alguns pontos de interesse próximos a Bariloche, como o Cerro Campanário e o hotel Llao Llao.

 Um chocolate quente na lanchonete que fica alto do Cerro Campanário foi perfeito para nos aquecer

Vista do hotel Llao Llao com o Cerro Catedral ao fundo


 Ao fim do passeio, fotos com o São Bernardo mais bobo que já conhecemos

Ao fim do primeiro dia em Bariloche, chegamos à conclusão de que aquela seria a cidade mais fria que visitaríamos. Não pela temperatura em si, pois os termômetros estavam marcado cerca de 10 a 12 ºC, mas pelo vento. A sensação térmica, principalmente à noite, incomodava bastante. Isso porque o inverno ainda não havia chegado (estávamos em maio). Mais uma vez tivemos que comprar assessórios para o frio, pois as luvas de lã que trouxemos do Brasil deixavam o vento entrar pelos buraquinhos (uma boa oportunidade de trocar aquele gorro ridículo).

Para nós, visitar Bariloche significou comer bem. Todos os restaurantes que nos foram indicados foram muito bons. Comida farta (e como!) e um preço um pouco melhor que o do Chile. Demoramos, mas aprendemos que um prato para uma pessoa normalmente serve duas muito bem. E pratos para duas pessoas podem servir até quatro, como no El Boliche de Alberto (quatro endereços. Fomos no Parrilla Villegas na Villegas, 347).

Cada casal pediu uma Parrilla, uma salada e uma porção de papas fritas. Nunca vimos tanta batata frita na nossa frente

Outro lugar muito agradável (apesar de um pouco mais salgado) foi o restaurante Família Weiss (esquina da Palacios com a Vice Almirante O'Connor), onde comemos um fondue delicioso.


Tiramos o segundo dia para conhecer a cidade a pé e comprar presentes. Foi aí que começamos a conhecer um pouco melhor os sabores de Bariloche. Nem precisamos falar que o dulce de leche argentino é muito gostoso. Os derivados de framboesa (principalmente o suco e a geléia) encantaram a Mariana que, há quase quatro anos, abre um sorriso de orelha a orelha quando lê "framboesa" escrito em qualquer lugar... O que não nos agradou muito foi o chocolate fabricado na região. Não que ele seja ruim, mas os chocolates com o mínimo de qualidade que comemos no Brasil são melhores que os que comemos por lá.


O segundo passeio quase não aconteceu, mas acabou sendo um dos melhores da viagem. Um passeio ao Cerro Catedral estava agendado para o terceiro e último dia em Bariloche. O problema era que o passeio chegaria de volta ao hotel ao meio-dia e precisaríamos estar fazendo o check in para o voo para Buenos Aires exatamente nesse horário. Já estávamos conformados desde a chegada.

Como o check out no hotel deveria ocorrer até às 10h, na manhã da partida, procurei a recepção do hotel para solicitar que nossas malas permanecessem na recepção enquanto aguardávamos nossos transporte para o aeroporto, que deveria chegar por volta das 11h. Mas a recepcionista disse que não me preocupasse porque tinha algo ocorrendo com a companhia aérea. Não entendi o que era, mas algo havia mudado os horários dos voos. Disse que poderia, inclusive, fazer o passeio. Fui tomar meu café tentando compreender.

No restaurante vi um guia falando com turistas ingleses que os funcionários da LAN Argentina estavam em greve e o voo deles para Buenos Aires seria trocado por um da Lan Chile que sairia no fim da tarde. Comecei a entender o que ocorria. Com a chegada da van que faria o passeio ao Cerro Catedral, a informação foi confirmada. Eles também já haviam trocado nosso voo. Poderíamos ir ao Cerro sem preocupações com horário.

 O topo das montanhas amanhece branco no nosso último dia em Bariloche


O Cerro Catedral é a principal estação de esqui da região. Só que não poderíamos esquiar. Havia pouca neve. Na verdade, naquela noite havia caido a primeira nevasca do ano, o que possibilitou que ao menos pudéssemos conhecer o que era neve. E isso já era grande coisa para quem nem sequer iria fazer o passeio. No caminho para a estação do teleférico descobrimos o que é caminhar num piso congelado. O frio da madrugada congelara a neve derretida no asfalto. Naquele dia, no alto do Cerro Catedral enfrentaríamos a mais baixa temperatura que já tinhamos visto: -6ºC.




Bela vista do alto do Cerro Catedral

Essa brincadeira me deixou com os pés molhado até as duas da manhã



De volta a Bariloche, almoçamos novamente no El Boliche de Alberto. Provamos um maravilhoso vinho Malbec de Mendoza. Agora era esperar o transporte para o aeroporto. Até aquele momento, a viagem estava perfeita. Até a greve da Lan Argentina havia sido positiva para nós. Até aquele momento... Tinhamos pela frente um surreal voo Bariloche-Santiago-Buenos Aires e uma greve de metrô. Mas essa história vem no próximo post.

Mariana preenchendo a ficha de saída da Argentina antes de voar de Bariloche para Buenos Aires (isso mesmo!)

Dicas para Bariloche (Argentina):
Hospedagem: Para quem não quer gastar dinheiro com taxi (ainda que não seja muito caro), o melhor é ficar nas redondezas da rua Mitre. A Av. Exequiel Bustillo possui hoteis novos, charmosos, mas ficam fora de Bariloche.
Lugares que fomos e recomendamos: Cerro Catedral, Cerro Campanário (passeios), El Boliche de Alberto e Família Weiss (restaurante).
Pretendemos voltar? Certamente. Se possível, fora da meia estação para conhecer a cidade no período quente e também sob neve.