sábado, 12 de fevereiro de 2011

Bariloche - Lagos Andinos - parte 6

Sol nascendo no lago Nahuel Huapi visto do nosso quarto no hotel

Bariloche foi nossa primeira impressão da Argentina. Ao contrário do que ouvimos falar, todos aqueles com quem tivemos contato (guais, funcionários do hotel, vendedores) foram muitos atenciosos conosco. Logo ficamos sabendo de um apelido que os próprios cidadãos de Bariloche deram à cidade: Brasiloche. A cidade recebe tantos brasileiros na estação fria que é fácil encontrar pessoas que compreendem e falam razoavelmente bem o português. Aliás, o comércio da cidade depende muito de nós. Dizem que os turistas argentinos só frequentam Bariloche mesmo no verão.

Nossa expectativa para a chegada em Bariloche era negativa. Às vésperas de nosso casamento fomos informados pela agência de viagens que o hotel que havíamos reservado, o Hotel Panamericano (Av. San Martín, 537/70), estava em reforma. Esse hotel havia sido recomendado por amigos que já haviam passado pela cidade. Não havíamos recebido nenhuma outra recomendação de hotel e ainda por cima algumas pessoas nos alertaram: O padrão dos hotéis argentinos costuma ser diferente do brasileiro. Lá, hotéis três estrelas podem ser muito bons, enquanto hotéis quatro estrelas podem não ser recomendáveis para família. Por isso quando a agência nos informou que o hotel seria substituído por um quatro estrelas fiquei assustado. Mas era véspera do casamento e uma confusão agora poderia apenas aumentar nossa dor de cabeça.

Pórtico entre o Centro Cívico e a rua Mitre

Mas ao entrarmos no hotel Cacique Inacayal (Juan Manuel de Rosas, 625) percebemos que a agência fez uma boa escolha. Tanto é que hoje o hotel está classificado como cinco estrelas. Na época, recém inaugurado, o hotel já demonstrava que tinha grande qualidade. Mesmo com algumas áreas ainda em obra. A localização do Cacique Inacayal é bem próxima do Panamericano. Ambos ficam a cerca de 15 minutos de caminhada do Centro Cívico (ponto central da área turística) e da rua Mitre (rua de compras). A nosso favor estava a vista, já que o hotel fica à beira do lago. Outra vantagem era que o jantar estava incluído e a cozinha do hotel era espetacular. O maître sempre vinha conversar conosco, dava sugestões e até pegava receitas.

 Vista interna do hotel Cacique Inacayal


Mesmo não estando concluído, o hotel não deixou nada a desejar

Durante o período que ficamos em Bariloche fizemos dois passeios sugeridos pelos guias. Um foi o tradicional Circuito Chico. É uma visita a vários pontos às margens do lago Nahuel Huapi e a alguns pontos de interesse próximos a Bariloche, como o Cerro Campanário e o hotel Llao Llao.

 Um chocolate quente na lanchonete que fica alto do Cerro Campanário foi perfeito para nos aquecer

Vista do hotel Llao Llao com o Cerro Catedral ao fundo


 Ao fim do passeio, fotos com o São Bernardo mais bobo que já conhecemos

Ao fim do primeiro dia em Bariloche, chegamos à conclusão de que aquela seria a cidade mais fria que visitaríamos. Não pela temperatura em si, pois os termômetros estavam marcado cerca de 10 a 12 ºC, mas pelo vento. A sensação térmica, principalmente à noite, incomodava bastante. Isso porque o inverno ainda não havia chegado (estávamos em maio). Mais uma vez tivemos que comprar assessórios para o frio, pois as luvas de lã que trouxemos do Brasil deixavam o vento entrar pelos buraquinhos (uma boa oportunidade de trocar aquele gorro ridículo).

Para nós, visitar Bariloche significou comer bem. Todos os restaurantes que nos foram indicados foram muito bons. Comida farta (e como!) e um preço um pouco melhor que o do Chile. Demoramos, mas aprendemos que um prato para uma pessoa normalmente serve duas muito bem. E pratos para duas pessoas podem servir até quatro, como no El Boliche de Alberto (quatro endereços. Fomos no Parrilla Villegas na Villegas, 347).

Cada casal pediu uma Parrilla, uma salada e uma porção de papas fritas. Nunca vimos tanta batata frita na nossa frente

Outro lugar muito agradável (apesar de um pouco mais salgado) foi o restaurante Família Weiss (esquina da Palacios com a Vice Almirante O'Connor), onde comemos um fondue delicioso.


Tiramos o segundo dia para conhecer a cidade a pé e comprar presentes. Foi aí que começamos a conhecer um pouco melhor os sabores de Bariloche. Nem precisamos falar que o dulce de leche argentino é muito gostoso. Os derivados de framboesa (principalmente o suco e a geléia) encantaram a Mariana que, há quase quatro anos, abre um sorriso de orelha a orelha quando lê "framboesa" escrito em qualquer lugar... O que não nos agradou muito foi o chocolate fabricado na região. Não que ele seja ruim, mas os chocolates com o mínimo de qualidade que comemos no Brasil são melhores que os que comemos por lá.


O segundo passeio quase não aconteceu, mas acabou sendo um dos melhores da viagem. Um passeio ao Cerro Catedral estava agendado para o terceiro e último dia em Bariloche. O problema era que o passeio chegaria de volta ao hotel ao meio-dia e precisaríamos estar fazendo o check in para o voo para Buenos Aires exatamente nesse horário. Já estávamos conformados desde a chegada.

Como o check out no hotel deveria ocorrer até às 10h, na manhã da partida, procurei a recepção do hotel para solicitar que nossas malas permanecessem na recepção enquanto aguardávamos nossos transporte para o aeroporto, que deveria chegar por volta das 11h. Mas a recepcionista disse que não me preocupasse porque tinha algo ocorrendo com a companhia aérea. Não entendi o que era, mas algo havia mudado os horários dos voos. Disse que poderia, inclusive, fazer o passeio. Fui tomar meu café tentando compreender.

No restaurante vi um guia falando com turistas ingleses que os funcionários da LAN Argentina estavam em greve e o voo deles para Buenos Aires seria trocado por um da Lan Chile que sairia no fim da tarde. Comecei a entender o que ocorria. Com a chegada da van que faria o passeio ao Cerro Catedral, a informação foi confirmada. Eles também já haviam trocado nosso voo. Poderíamos ir ao Cerro sem preocupações com horário.

 O topo das montanhas amanhece branco no nosso último dia em Bariloche


O Cerro Catedral é a principal estação de esqui da região. Só que não poderíamos esquiar. Havia pouca neve. Na verdade, naquela noite havia caido a primeira nevasca do ano, o que possibilitou que ao menos pudéssemos conhecer o que era neve. E isso já era grande coisa para quem nem sequer iria fazer o passeio. No caminho para a estação do teleférico descobrimos o que é caminhar num piso congelado. O frio da madrugada congelara a neve derretida no asfalto. Naquele dia, no alto do Cerro Catedral enfrentaríamos a mais baixa temperatura que já tinhamos visto: -6ºC.




Bela vista do alto do Cerro Catedral

Essa brincadeira me deixou com os pés molhado até as duas da manhã



De volta a Bariloche, almoçamos novamente no El Boliche de Alberto. Provamos um maravilhoso vinho Malbec de Mendoza. Agora era esperar o transporte para o aeroporto. Até aquele momento, a viagem estava perfeita. Até a greve da Lan Argentina havia sido positiva para nós. Até aquele momento... Tinhamos pela frente um surreal voo Bariloche-Santiago-Buenos Aires e uma greve de metrô. Mas essa história vem no próximo post.

Mariana preenchendo a ficha de saída da Argentina antes de voar de Bariloche para Buenos Aires (isso mesmo!)

Dicas para Bariloche (Argentina):
Hospedagem: Para quem não quer gastar dinheiro com taxi (ainda que não seja muito caro), o melhor é ficar nas redondezas da rua Mitre. A Av. Exequiel Bustillo possui hoteis novos, charmosos, mas ficam fora de Bariloche.
Lugares que fomos e recomendamos: Cerro Catedral, Cerro Campanário (passeios), El Boliche de Alberto e Família Weiss (restaurante).
Pretendemos voltar? Certamente. Se possível, fora da meia estação para conhecer a cidade no período quente e também sob neve.

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