domingo, 3 de junho de 2012

Maceió (AL)

Maceió não era novidade para mim. Já havia passado por lá por duas vezes. A cidade fazia parte de um roteiro de carro que já havia feito com meus pais e com um grupo de amigos. Começava em Aracajú (SE) passava por Maceió (AL) e terminava em João Pessoa (PB). Mas, para a Mariana, quase tudo no nordeste era novidade.

Por várias vezes, conversando com ela sobre viagens, eu havia falado que iria visitar cada uma das cidades que eu já conhecia no nordeste, dessa vez, acompanhado dela. Maceió foi nossa escolha para começar o trajeto. Queria deixar as capitais que mais gosto (Aracajú e João Pessoa) para depois. Nessa viagem os pais da Mariana nos acompanharam.

O litoral do Estado de Alagoas é um dos mais espetaculares do Brasil. Até mesmo as praias urbanas são muito bonitas. Com uma a água muito verde e muito clara suas praias são sempre belas. A orla de Maceió também é muito bonita e conta com bons hotéis e restaurantes. O ponto negativo fica para a sensação de insegurança e para a enorme desigualdade se percebe em toda a cidade. A quantidade de pessoas pedindo dinheiro na rua também chamaram a atenção nas três vezes que estive por lá. Basta você parar em um quiosque para comprar uma água que apareçam crianças pedindo dinheiro ou comida. Isso quando não são adultos pedindo. Esses fatos desestimulam a permanência na capital e nos leva a conhecer praias nos extremos do Estado.

Os hoteis de Maceió concentram-se em três praias. Pajuçara, mais ao sul, é a mais badalada, mas nos pareceu um pouco bagunçada. Ponta Verde, no meio, possui mais edifícios residenciais e é mais tranquila. E Jatiúca, ao norte, parece que se voltou ao turismo mais recentemente, mas já possui excelente estrutura de restaurantes e bons hoteis. Cada uma tem seu perfil. Nós, preferimos Ponta Verde, por permitir uma boa caminhada para as outras duas praias. Nos hospedamos no Hotel Ponta Verde (Av. Álvaro Otacílio, 2933), bem localizado, à beira mar, e com um bom serviço.

Na primeira manhã, fomos conhecer a praia conhecida com Gunga. Há duas formas de chegar à praia. A mais comum é indo até a cidade de Barra de São Miguel e pagando um passeio de escuna ou lancha, que atravessará o rio e deixará os passageiros para pegá-los no fim da tarde. A outra, por terra, passa por dentro de uma fazenda, que por ser propriedade particular, tem acesso restrito. Os hoteis tem uma conversa de "alugar uma carteirinha" que dá acesso à praia por meio da fazenda. Mas é possível conversar com o porteiro para apenas conhecer o local, principalmente no fim da tarde. (nota: recentemente alguns amigos estiveram por lá e não foi cobrado nada para entrar por terra).

A vantagem de alugar um carro em uma cidade como Maceió é que você pode fazer o seu roteiro como bem entender, sem ficar preso a horários (a não ser o das marés). Por isso, antes da praia, demos uma passada em um mirante que fica pouco depois da entrada para o Gunga. A vista do local é muito bonita. É possível ver o rio São Miguel desembocando no mar e um imenso coqueiral.




De lá, voltamos um pouco e demos uma passada em Barra de São Miguel. A cidade tem uma praia protegida por uma barreira de corais que reduz a rebentação e, na maré baixa, forma uma grande piscina natural. Essas piscinas naturais existem em boa parte do Estado de Alagoas. A barreira de corais vem do norte da Bahia até o Rio Grande do Norte, hora aproximando-se da praia, hora afastando-se. Tentamos negociar uma lancha para nos levar (como estávamos fora de temporada, não havia gente suficiente para encher uma escuna), mas o preço não era convidativo. Seguimos por terra mesmo.


A praia fica na foz do rio São Miguel e conta com estrutura lazer e alimentação. É bem bonita, mas não acho o banho dos melhores. O mar é perigoso, como toda foz, e tem água escura devido aos sedimentos que o rio carrega. Já no rio, não senti muita confiança na qualidade da água. Ainda assim, valeu o passeio.




No dia seguinte descemos mais ao sul para visitar a famosa foz do rio São Francisco. É possível fazer o passeio partindo da margem alagoana ou sergipana do rio. Em Sergipe, o principal ponto de partida é uma pequena cidade chamada Brejo Grande. Em Alagoas, os principais pontos de partida são Penedo e Piassabuçu. Partimos dessa última.



Percorre-se um trecho de aproximadamente 40 minutos (depende da embarcação e do local de embarque) até chegar ao encontro do rio com o oceano. No caminho, é possível observar o assoreamento que ocorre nesse ponto do rio. Os bancos de areia que se formam no leito do rio aumentam a cada ano, prejudicando a sua vazão. Segundo pessoas que vivem na região, hoje, o rio avança cerca de 4 km dentro do mar, mas quando nasceram ele avançava mais de 10km. Há registros históricos que indicam que esse avaço já foi superior a 100 km! A consequência dessa mudança é a salinização da água do São Francisco e o avanço do mar sobre o continente.

Um farol é o que resta de uma cidade que existia ao lado da foz do São Francisco




 Chegada em Piassavuçu



No dia seguinte fomos a Porto de Galinhas, onde passamos o dia. São cerca de 200 km pelo litoral, por estradas sinuosas e estreitas, ou 250 km tomando a BR 101, uma estrada cheia subidas e decidas com muitos de treminhões (caminhões com duas ou mais carrocerias) cheios de cana. Mesmo já tendo passado algumas vezes por essas duas estradas, ainda não sei qual a melhor opção. Mas vou falar de Porto de Galinhas em um post específico, pois estamos preparando uma viagem exatamente para lá.

Um dos problemas de alugar um carro é que a gente nunca sabe que como é o cuidado com o veículo. Já peguei carros com a suspensão avariada (e um volante duríssimo), carros desregulados (que praticamente não subiam), carros sujos e sem manutenção. Mesmo quando pegamos carros de grandes locadoras corremos algum risco. E foi o que aconteceu naquela viagem. O carro que pegamos, com pouco mais de um ano de uso, nunca havia tido o ar-condicionado higienizado. E em um ligar onde a umidade é alta o ano todo, como em Maceió, isso é um convite para microorganismos de toda espécie. Resultado: infecção de garganta fortíssima no meio das férias, e um dia de viagem perdido.

No dia seguinte, quase recuperado, mas ainda à base de um antibiótico fortíssimo, consegui levantar da cama e seguimos para Maragogi, uma pequena cidade no litoral norte de Alagoas, famosa por suas praias e lugares para mergulho. A principal atração do local são as Galés, um banco de areia com corais que fica a 25 minutos de catamará mar a dentro. Lá, na maré baixa, é possível observar peixes corais e ouriços, entre outros, sem necessidade de equipamentos de mergulho.


Ainda com cara de doente aguardando o desembarque nas Galés







A praia de Maragogi é servida por barracas de praia com uma estrutura razoável, e também conta com hotéis, pousadas e resort. Também existem outras opções de lazer.

Passeio de quadriciclo


Continua...

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