sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Travessia dos Lagos (segundo dia) - Lagos Andinos - parte 5


O segundo dia de travessia começou com um frio danado. O vento que havia soprado toda a noite continuava forte (como foi possível observar no vídeo do post anterior). A programação daquele dia começava com procedimentos mais burocráticos. Era necessário passar na alfândega chilena, subir e descer a Cordilheira e dar entrada na alfândega argentina. Tudo isso em um ônibus, acompanhados por uma equipe chilena de guias. Eram nossos últimos instantes em território chileno e ouvindo piadas sobre argentinos... No meio do caminho, uma parada para fotografias dos marcos da fronteira: uma placa e o Monte Tronador.



Se você clicar na foto acima, poderá ler explicações em espanhol sobre a origem do nome desse vulcão que serve de marco para a fronteira entre os dois países. Em resumo, o desprendimento de gelo do alto desse monte provoca sons muito altos, ouvidos à distância, semelhantes a trovões (tronaduras). Daí o nome Monte Tronador.

Ao chegar no local conhecido como Puerto Frias, já em território argentino, em frente à alfândega, os guias chilenos nos deixaram. Não sem antes cutucar os hermanos. "Taí uma coisa que eles têm mais que nós chilenos: burocracia". De fato, levamos muito mais tempo nos procedimentos alfandegários daquele lado da fronteira. Aproveitamos o tempo para fotografar.


Uma raposa veio nos visitar enquanto aguardávamos o catamarã argentino

A chegada do primeiro catamarã que pegaríamos naquele dia nos deixou com uma pulga atrás da orelha. Depois do belíssimo catamarã, com poltronas confortáveis do dia anterior, surgiu no horizonte um catamarã pequeno com a pintura descascada e uma aparência de velho. Seria aquele o padrão argentino da viagem?

Primeiro catamarã do dia

Ao embarcarmos confirmamos nossa percepção. Não era uma embarcação em mau estado, mas estava muito abaixo do padrão daquela do dia anterior. Mas aquilo era apenas um detalhe. A paisagem continuava chamando mais a atenção. O lago Frias era um espetáculo à parte. Sua cor verde esmeralda e as montanhas que o contornavam deixavam todos deslumbrados. Além disso, durante todo aquele dia vários pássaros nos acompanharam e deram um show.


Após menos de meia hora de navegação, tomamos um ônibus para transitarmos entre os lagos Frias e Nahuel Huapi. No fim da rota, uma parada para o almoço em um restaurante muito aconchegante.



Ao sair do restaurante, pudemos ver a embarcação do último trecho da travessia. El Condor foi o maior a mais confortável catamarã da viagem. Mudou completamente a má impressão do primeiro trecho da viagem naquele dia.



Embarcamos para um primeiro trecho bem curto. Na margem oposta daquele trecho do lago havia uma escadaria de um quilômetro, subindo uns 90 metros, ao lado de pequenas quedas d'água, até um lago chamado Cantaros. Ao lado do lago também era possível visitar um alerce (árvore típica da região) de 15 metros de altura e 1500 anos. O único problema é que ao fim da escadaria você não tem muito fôlego (nem tempo) para admirar a paisagem.


Lago Cantaros

De volta ao barco, seguimos viagem até o fim da tarde observando e admirando a paisagem. O frio era intenso, mesmo com o sol brilhando.






Após algumas horas de navegação, desembarcamos a meia hora de ônibus de Bariloche. Fomos recebidos por um guia que nos levou ao hotel Cacique Inacayal, uma grata surpresa, como veremos no próximo post. Alí ficaríamos três noites. Uma bela cidade para coroar um belo passeio. Uma experiência que desejamos repetir em outras ocasiões especiais.

Pôr do sol no lago Nahuel Huapi visto da recepção do hotel Cacique Inacayal


Dicas para a Travessia dos Lagos (Chile-Argentina):
Hospedagem: Só há duas opções para o pernoite em Peulla: Hotel Peulla e Hotel Natura. Na verdade são as únicas edificações do local. Ficam lado a lado e pertencem aos mesmos donos. O Hotel Natura é mais novo.
Lugares que fomos e recomendamos: São oferecidos passeios para a tarde do primeiro dia. O que os guias chamam de arvorismo é, na verdade, uma sequência de tirolezas entre várias árvore bem altas. Vale a aventura.
Pretendemos voltar? Certamente. Um dos mais belos passeios que já fizemos.

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