quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Puerto Montt, Puerto Varas e Frutillar - Lagos Andinos - parte 3

Puerto Varas vista do quarto do Cabañas del Lago

Não chegamos propriamente a passar um quarto dia em Santiago. Ainda de madruagada, fizemos o check out e embarcamos em uma van para o aeroporto. Nosso destino era Puerto Montt, vizinha de Puerto Varas, local onde começaria a travessia dos Lagos Andinos. Entramos no saguão de embarque ainda com o céu escuro, muita neblina e um frio de rachar. Check in eletrônico, café da manhã no aeroporto e uma espera razoável para uma das experiências mais esquisitas de nossas vidas a bordo de um avião.

Santiago fica no pé da Cordilheira dos Andes, assim como Puerto Montt. Por isso o voo entre as cidades segue a Cordilheira durante todo o trajeto, a uma altitude elevada. O problema é que Puerto Montt fica ao nível do mar. Por isso, na chegada, o avião inclina muito e acelera, o que dá a impressão que a aeronave está caindo. Imagina o susto que levamos! Antes de começar a me preparar para o pior, olhei para os lados e vi que os outros passageiros, acostumados com aquela situação, não estavam nem um pouco preocupados. Também fiz de conta que tudo estava correto e esperei a aterrissagem.

Uma van nos esperava no aeroporto para nos levar ao belo hotel Cabañas del Lago (Luis Wellmann, 195), em Puerto Varas. O hotel é perfeito para uma lua-de-mel. Os quartos, de aparência rústica, têm uma vista espetacular para o lago Llanquihue com o vulcão Osorno ao fundo. Pena que essa paisagem só vimos por foto. Da hora em que chegamos até a hora da partida uma nuvem cobria o vulcão.

No fundo é possível ver a base do Osorno.

Chegamos ao hotel por volta de onze horas e nosso quarto não estava pronto. Era uma boa oportunidade para aproveitarmos o tempo e fazer nossa primeira visita a um vulcão, o Osorno. Mas o nosso guia disse que a neblina que estávamos vendo impedia a subida. Os casais que havia passado por lá pela manhã haviam perdido a viagem. Aproveitamos o tempo para um outro passeio sugerido pelo nosso guia: uma visita à simpática Frutillar. O caminho vai seguindo a margem do lago Llanquihue. Pudemos observar várias "gaiolas" onde são criados salmões. A proximidade do lago, de água doce, com o mar é ideal para o desenvolvimento dessa cultura, já que o salmão passa uma parte de seu ciclo de vida em cada um desses ambientes.


Ainda no caminho foi possível observar marcas da colonização alemã na região


Chegamos em Frutillar antes de meio dia. A cidadezinha é encantadora! Parece de brinquedo. A região foi colonizada por alemães e a marca desse povo está em toda parte. Tudo muito bonito e com jardins muito bem cuidados. Mesmo no frio e com uma chuva fininha, a caminhada à beira do lago e pelas ruas da cidadezinha é muito agradável. A principal atração do lugar é um Parque/Museu chamado Museo Colonial Alemán (Av. Vicente Pérez Rosales, s/n) dedicado à história da colonização alemã na região. Vale fazer a visita.



Vista de Frutillar

Depois, partimos para o almoço. São vários pequenos restaurantes e deu vontade de experimentar cada um deles, mas ficamos com o Guten Appetit (Av. Philipi, 1285) . Depois, voltamos para um city tour em Puerto Montt.

Puerto Montt é uma cidade portuária. É uma das maiores, se não a maior cidade da patagônia chilena. Por sua infraestrutura, com um dos maiores portos do país e um aeroporto internacional, serve de base para os turistas que desejam se aventurar pela patagônia e região dos lagos. Não é muito bonita, mas tem algumas atrações interessantes como uma feira de artesanato andino e um belo mirante.

Durante a caminhada na feira o frio apertou e veio uma nova lição para esse tipo de viagem. Por melhor que seja a loja, no Brasil, dificilmente você comprará roupas que verdadeiramente sirvam para frios mais rigorosos. Havíamos comprado a segunda pele, luvas, gorros e cachecóis em Brasília, numa loja especializada em artigos para o frio. A segunda pele funcionou bem, mas os outros artigos, principalmente a luva e o gorro, não deram conta do recado. Sorte que estávamos ali. Havia muitos artigos de lã de alpaca, muito mais quentes que os produtos de lã que encontramos no Brasil. Nem todos eram muito bonitos, como o gorro que o Ivan comprou.

Da feira fomos a um mirante onde é possível ter uma bela visão de Puerto Montt e do mar. De lá, voltamos a Puerto Varas, e, enfim, pudemos entrar no hotel.
Uma bela vista de Puerto Montt e um gorro ridículo, mas bem quente

Na periferia de Puerto Montt, um belo arco-íris em um dia nublado

Puerto Varas é uma cidade encantadora. Muito diferente de Puerto Montt, Puerto Varas é pacata, organizada e convida ao relaxamento. Se no inverno ela já é assim, imagine no verão, quando se enche de rosas. É uma cidade que merecia uma visita mais demorada.

Mas como nem tudo são flores, a febre da Mariana piorou e começou um tosse muito seca e escura. Restos da poluição de Santiago. Surgiu a necessidade de comprar um medicamento muito simples como um Vick que ajudasse na eliminação do catarro. Mas estávamos no exterior e os medicamentos não têm o mesmo nome. Nova lição: remédios no exterior são uma grande dificuldade se você não domina a língua, mesmo que essa língua seja o espanhol. Depois de muito tempo conversando com o farmacêutico ele nos ofereceu o equivalente chamado Mentholatum, muito parecido com o Vick.

À noite, apesar do frio, decidimos comer uma boa carne para descansar um pouco do salmão, que havíamos comido praticamente todos os dias desde que desembarcamos no Chile. O guia nos indicou o restaurante Fogón Las Buenas Brasas (San Pedro, 543). Chegando ao restaurante entendemos porque o guia havia recomendado tanto aquele local. Além do nosso guia, outros guias turísticos que encontramos no mirante de Puerto Montt trabalhavam como garçons no restaurante. Mas a recomendação foi realmente boa. Comida farta, ótimo atendimento (em português) e um preço razoável (pelo menos para os padrões chilenos, onde a comida é cara).

Fogón Las Buenas Brasas. A garrafa é só para tirar onda.

A volta para o hotel foi preocupante. A Mariana estava cada vez pior. Estava difícil até respirar, quanto mais subir uma ladeira que antecedia o portão do hotel. Para completar, um cachorro começou a nos incomodar. Ficamos com medo de não conseguir iniciar a travessia dos lagos no dia seguinte. Felizmente o Mentholatum, um antitérmico e uma boa noite de sono fizeram milagre. Apesar dessa dificuldade, Puerto Varas nos deixou uma ótima impressão. Isso porque não tivemos muito tempo para circular na cidade, que ainda conta com cassino e outros bons restaurantes.


Dicas para Puerto Montt, Puerto Varas e Frutillar (Chile):
Hospedagem: Puerto Varas é mais turística e Puerto Montt mais comercial. Puerto Varas é perfeita para lua-de-mel. Não pensaria duas vezes antes de me hospedar no Cabañas del Lago novamente. Não observamos as condições de hospedagem em Frutillar, mas deve ter bons pequenos hoteis.
Lugares que fomos e recomendamos: Feira de Puerto Montt, Museo Colonial Alemán (Frutillar).
Pretendemos voltar? Certamente. E ficaremos mais dias na próxima travessia dos Lagos Andinos, em algum aniversário de casamento.

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